Arreio

Discorreria aqui sobre a novela ficcional dos apaixonados. Mas, não hoje. Não nesse momento em que paro diante da folha em branco para refletir. Refletir sobre a solidão, sobre a existência, sobre nossa indivualidade. Sobre o vazio concomitante dos que lutam para encaixar suas almas. Dói, arde como brasa. Fogo e carne.
Começamos pelo início. Iniciamos do desfecho.  Uma espiral sem fim, com rumo e julgamentos. 

Tudo padeceria no tédio se fosse o contrário. Mas o peso. O peso está por questionar nossa sanidade. 
Humano demasiado. Nada é como almejamos e ainda assim DEVEMOS "aceitar sorridente todo o bem e mal dessa vida". Amada Florbela Espanca.
Corações invólucros na fome de serem amados. 
Nunca mais a fome de amar. Primeiro eu e depois o outro. O outro como a mim mesmo na mesma medida haveria de ser o ideal.
O amor, uma linda performance para alguns, um discurso convincente para outros, talvez o filho incompreendido das grandes virtudes. 

Quem haverá de saber o amor? Tanto se observou história a dentro e não saiu do lugar. 
O mais cabível dentro das minhas crenças pessoais é uma visão aristotélica. Amar são ações virtuosas. Nada de concepções lúdicas. Conceito simples e límpido como a água. Pois que se acreditarmos no amor mágico a decepção é certa, uma vez que somos cada qual um universo. 

Como citou Nietzsche "em última análise, amam-se os desejos, e não o objeto desses desejos." Todo cuidado é necessário. Um deslize na prática e caímos na armadilha da criança que nos habita. A culpa aperta a campainha e trás com ela o manto da ignorância.
Haveríamos de acolher o equívoco do desamor diante da escuridão, entretanto, num raio de lucidez certamente heresia. 
Alimento da expectativa mínima que a chuva traga o reflexo denominado escola. Assim talvez, como está gravado no templo em Delfos "conhece-te a ti mesmo e conhecerá o universo" seja a priori direção para instrumentalizar nossas emoções. 
Um respingo de conforto. 


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